Crises e conflitos da cuidadora

Resultado de imagem para estres del cuidador

MULHERES NA MATURIDADE:

CRISES E CONFLITOS DA CUIDADORA

NA MEIA IDADE

Trabalho apresentado no Curso de Especialização

                                               em Geriatria e Gerontologia, como requisito                parcial à obtenção do título de Especialista

 

Orientador: Prof. Msc. Benigno Sobral

Rio de Janeiro

2011

 

 

CATALOGAÇÃO NA FONTE

Danielle Carvalho de Oliveira

 G235

 

Gioia, Maria da Conceição de Vasconcelos

 

Mulheres na maturidade: Crises e Conflitos da Cuidadora na meia idade

Rio de Janeiro: UERJ/UnATI, 2011.

24f.

Orientador: Prof. Msc.Benigno sobral

Especialização (Pós-graduação em Geriatria e Gerontologia) – Universidade do

Estado do Rio de Janeiro, Universidade Aberta da Terceira Idade.

1. Idoso 2. Menopausa 3.Síndrome do ninho vazio I. II. Título.

CDU 616-053.9

SUMÁRIO

 

 

Resumo………………………………………………………………………… Erro! Indicador não definido.

I – Introdução………………………………………………………………………………………………………. 8

II – Metodologia……………………………………………………………………………………………………………10

II – Sindrome do ninho vazio……………………………………………………………………………….. 11

III – Menopausa…………………………………………………………………………………………………………..13

IV – Crises e luto…………………………………………………………………………………………………………14

V – Estresse do cuidador(a)……………………………………………………………………………………………15

VI – O papel da psicoterapia…………………………………………………………………………………………..17

VII – Conclusão…………………………………………………………………………………………………………….19

VIII – Referências bibliográficas……………………………………………………………………………………20.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AGRADECIMENTOS

 

Agradeço a Deus em primeiro lugar por ter me dado a oportunidade desse estudo, a meu marido e minha filha que me apoiaram em todos os momentos,  ao professor Benicio Sobral pela paciência como meu orientador, a todos que direta ou indiretamente me apoiaram  e incentivaram e em especial a minha mãe pelo exemplo de coragem e determinação por ter me ensinado que sempre é tempo de aprender e construir .

Ter vivenciado a experiência de cuidar de minha mãe com mal de Alzheimer, ter sofrido por ver a mulher que foi e é ainda hoje, meu exemplo de coragem e determinação, que me ensinou a sempre lutar pelos meus objetivos, vê-la ir desaparecendo como uma escrita em papel que vai amarelando e se apagando com o tempo, esquecendo-se de tudo e de todos que ela tanto amava, me levou a buscar  a especialização em Geriatria e Gerontologia da UERJ/UnaTI,  para entender, para ajudar as pessoas que passaram pela mesma experiência, ajudando-as a compreender que estão fazendo o melhor que lhes é possível e que cada um só pode doar o que tem.

Por tudo isso eu agradeço a Dona Cremilda Mafra de Vasconcelos por tudo que ela me ensinou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RESUMO

 

Crises da meia idade, menopausa, síndrome do ninho vazio, depressão, conflitos existenciais são conhecidos como parte da vida das mulheres na meia idade, porém se além de passar por essas crises que fazem parte do ciclo da vida da mulher ela ainda tem que cuidar de um pai ou de uma mãe com uma doença que causa incapacidade, como a doença de Alzheimer, essa fase pode se agravar podendo levar a danos físicos e psicológicos para a mulher.

A necessidade de chamar atenção para os cuidados com a pessoa que cuida é de fundamental importância para o paciente, uma vez que dependendo do estado emocional do cuidador (a) depende o cuidado que ele dará ao paciente.

Segundo estudos de alguns artigos os cuidadores informais são na maioria mulheres, filhas, esposas , que estão na meia-idade , entre 41 e 59 anos, que  tem uma dupla carga de trabalho pois além do seus afazeres ainda passam a ser as principais  cuidadoras de um idoso. Essas mulheres de meia-idade que estão vivenciando um processo de menopausa, onde os hormônios e tensões psicológicas somadas ao estresse de cuidar de uma pessoa com demência, no caso doença de Alzheimer, são vitimas de alta carga emocional que pode levá-las a depressão e ao  estresse,   fatores estes de maior prevalência da doença de Alzheimer, sendo o fator educacional  o primeiro.

Palavras chaves: mulheres na maturidade, crise na meia idade, síndrome do                                   ninho vazio,  cuidadores informais.

 

 

 

 

 

 

 

 

ABSTRACT

Middle-age crises, menopause, empty nest syndrome, depression and existential conflicts are know as part of a middle-aged woman’s life, however if along with these crises that are part women’s life cycle, she has to care for a father or mother with a incapacitating illness such as Alzheimer’s disease, this phase can aggravate and lead to physical and psychological damages.

The need to draw attention to cautions with caretakers is fundamental for the patient, since the care given to the patient depends on the emotional state of the caretaker.

According to certain studies, informal caretakers are mostly middle-aged women, daughters and wives, between 41 to 59 years of age, that have a double load of work since along with their responsibilities they are also the main caretakers of an elder. These middle-aged women that are living a menopausal process, where hormones and psychological tensions summed up to the stress of caring for a demented person, such as one with Alzheimer’s, are victims of an emotional overload that could lead to depression and stress that are prevalent predisposing factors of Alzheimer’s disease, of which the educational factor is the main one.

Keywords: middle-aged women, middle-age crisis, empty nest syndrome, informal caretakers

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OBJETIVO

A identificação de indivíduos com potencial risco de desenvolver demência.

 

Objetivos Gerais

O objetivo deste trabalho é de chamar atenção aos profissionais da área da saúde com relação aos conflitos do cuidador (a) , em especial mulheres na meia  idade,  uma vez que  para que possa oferecer bons cuidados o cuidador (a) precisa  estar bem consigo mesmo e também considerar o fato de que a falta de cuidados pode levar  essa pessoa ser uma futura portadora da doença de Alzheimer( ?).

Abrir espaço para escuta dessas mulheres e avaliar a dor emocional e outros sintomas associados a esse momento da vida da mulher e dar um foco para os diferentes sintomas que ela apresenta, ou seja, abrir espaço para que ela possa, através da identificação das interpretações errôneas,comportamento auto-derrrotista e atitudes disfuncionais cognitivas e comportamentais possa dar um novo significado a vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MULHERES NA MATURIDADE:

CRISES E CONFLITOS DA CUIDADORA

NA MEIA IDADE

 

I – INTRODUÇÃO

 

      Envelhecimento com qualidade de vida é preocupação do campo gerontológico e originou formulações teóricas diversas e um lastro discursivo sobre velhice bem-sucedida, no qual emergiu o conceito de envelhecimento ativo, proposto pela OMS, que se define como “o processo de otimizar oportunidades para saúde, participação e segurança de modo a realçar a qualidade de vida à medida que as  pessoas envelhecem”(WHO, 2002,p. 13,apud Caldas Célia).

 

Para um envelhecimento bem-sucedido, é necessário que haja a substituição simbólica das inexoráveis perdas por ganhos em outras dimensões; é preciso o atendimento às necessidades sociais, com boas condições de vida e oportunidades socioculturais, e a renovação dos projetos de vida.

Já o envelhecimento malsucedido se dá quando ocorre perda dos projetos de vida; falta de reconhecimento; dificuldade de satisfazer suas próprias necessidades; sentimento de fragilidade, incapacidade, baixa estima dependência, desamparo, solidão, desesperança; ocorrência de ansiedade, depressão, hipocondria e fobias (Caldas, Célia). 

          o envelhecimento da população brasileira é hoje uma realidade e uma das  principais conseqüências é o crescimento  da prevalência das demências, principalmente da  doença de Alzheimer (DA).  O impacto dessas doenças tanto na família bem como no sistema sócio-econômico vem sendo debatido em todos os níveis da sociedade, pois além dos custos diretos com médicos, hospitais, exames, prótese, transporte do paciente, contratação de um cuidador, tem o custo indireto ou social que resultam na perda de produtividade associada ao absenteísmo ou à mortalidade precoce. Entre outros custos, a sobrecarga psicológica do paciente e o custo do prejuízo de sua qualidade de

vida e bem-estar.

 

Segundo Veras, Renato é hora de mudanças e a proposta é postergar o inicio da doença, ou seja, é desenvolver estratégias que visem levar a vida mais próxima do limite máximo, mas para lograr essa realização é necessário que sejam tomadas medidas preventivas. Assim a identificação de indivíduos com potencial risco de desenvolver demência é de fundamental importância.

Atualmente o trabalho com idosos se caracteriza na interdisciplinaridade. A pratica da interdisciplinaridade implica numa tentativa constante de acrescentar algo do conhecimento de um determinado especialista, em prol da pessoa que busca atendimento, torna-se necessário uma visão holística, na qual olhares diferentes contribuem para compreensão do ser integral, ou seja, uma visão biopsicossocial e espiritual ( Silveira, Terezinha M.).

O diagnóstico precoce das demências, apesar de ainda existir controvérsias, possibilita intervenção terapêutica, diminui os níveis de estresse, reduz riscos de acidentes, prolonga autonomia e em alguns casos evita ou retarda o inicio do processo demencial (  Charchat-Fichman, Helenice; Caramelli, Paulo; Sameshima, Koichi; Nitrini, Ricardo).   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

II – METODOLOGIA

 

 

A pesquisa foi realizada através da internet nas seguintes base: foram analisados artigos, publicações em revistas cientificas, congressos,  com base na Pubmed, scielo, Medline, Psicoinfo. Foram analisados artigos com descritores mulheres na maturidade, síndrome do ninho vazio, menopausa, climatério, psicoterapia com mulheres na menopausa, cuidados com o cuidador, qualidade de vida, cuidadores de Alzheimer, o papel das filhas que cuidam, Preclinical diagnosis of Alzheimer desease,  foram encontradas 36 artigos em inglês , português, espanhol.  Artigos que não versam sobre o tema escolhido foram descartados. Também foram incluídas publicações referentes aos artigos que foram considerados importantes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 III – SINDROME DO NINHO VAZIO

 

      O estudo sobre o ciclo vital e suas conseqüências para a mulher é um assunto atual e importante. Tem sido um dos principais assuntos do século XX, principalmente a partir de 1950, embora o tema já fizesse parte de textos eruditos e obras literárias desde a Antiguidade.  A forma como a mulher passa pelo momento do Ninho Vazio é individual e tem a ver com fatores atuais e passados de sua vida, bem como aspectos biopsicossociais. Considera-se como Ninho Vazio, o sentimento de perda, de vazio existencial e inutilidade, que é provocado pela perda da função parental. (McCULLOUGH, 1995; HARKINS, 1978; LIU, 2007).

 

Estudo realizado através de pesquisa sobre o tema, abordando diversas culturas e diferentes contextos sociais, tem como justificativa a criação de um contexto para a escuta dessas mulheres que trazem queixas de outra ordem. Isto é, outras dores as quais elas não conseguem verbalizar nas consultas médicas e nem no dia a dia, por conta de uma possível visão estereotipada das dificuldades que elas enfrentam. (DINIZ & COELHO, 2003; NORI, 2002)

 

Estudos sobre o Ciclo Vital têm sido um dos principais temas de eventos científicos da atualidade, apesar de ter sido motivo de interesse desde a antiguidade, ele é constituído por diversas fases: Período de crescimento preparando-se para maturidade, período de maturidade onde os processos biológicos estão a serviço da manutenção, procriação e período de declínio com atraso do intercâmbio biológico em relação às necessidades de renovação, até a morte. (LIDZ, 1983).

No inicio do período de declínio, algumas mulheres podem passar por perdas que vão além dos processos biológicos, envolvendo a família em suas tarefas, em seu crescimento pessoal ou na função parental.

Nessa fase, podem ser observados sintomas de depressão, ansiedade, dependência e desestruturação familiar chamada de síndrome do  Ninho Vazio, que é definido como sendo o sofrimento associado à perda do papel da função parental após a saída dos filhos da casa dos pais. (McCULLOUGH, 1995; HARKINS, 1978; LIU, 2007).

Erik Erickson (1998) desenvolveu uma teoria da personalidade com base nas relações sociais onde ele descreve o desenvolvimento humano por períodos ou estágios básicos caracterizados por diferentes conflitos, marcados por crises emocionais, tidas como inevitáveis. Estas crises seriam estruturadas de forma que quando a crise é resolvida, o individuo sairia com o ego fortalecido e pronto para enfrentar o estágio seguinte. Generatividade versusestagnação é a característica da crise da meia-idade. Falhas na generatividade podem levá-lo à estagnação disfarçada por atitudes nem sempre perceptível. Assim sendo, cada período da vida adulta exigirá reorientação e reorganização do psiquismo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IV – MENOPAUSA

É caracterizado por aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais, período em que a mulher de meia-idade precisa reestruturar-se. Sofrendo influências de transformações do sistema endócrino, psicossomático e sociocultural, a mulher passa pela fase que pode ser a mais difícil de sua vida. (DEUSTXSCH, 1960).

Segundo Apollinário (2001), até a década de 1970 alguns autores, com base em seus estudos, defendiam a idéia de uma condição psicopatológica específica da menopausa, que chamavam de Melancolia Involutiva, caracterizada por depressão, ansiedade, agitação e insônia, com freqüentes sentimentos de culpa e somatizações que poderiam atingir grandes proporções.     Nas últimas décadas, a antiga Melancolia Involutiva passou a ser chamada de Síndrome do Climatério. Quandoessas mulheres buscam ajuda médica, elas chegam pedindoajuda para suas queixas somáticas, como dores, tonturas, mal estar indefinidos, cansaço, falta de apetite e dificuldades de realizar as tarefas do dia-a-dia. (RANGÉ, 2001).

Além desses fatores surge também a menopausa, trazendo mais dificuldades para este momento de vida da mulher, que mesmo com algumas divulgações realizadas atualmente, as mulheres ainda desconhecem o seu próprio corpo e sexualidade. (CIONARI, 1999; NORI, 2002; RAMOS, 1998).

Estudos realizados com mulheres, de diversas classes sociais, com idade de 35 a 55 anos, que não apresentavam problemas endócrinos, mostram que a Síndrome do Ninho Vazio está significativamente ligada à menopausa. (VELASCO, 1990).

No Brasil, estudos e serviços públicos voltados para a menopausa e a maturidade da mulher, ainda são precários, contribuindo assim, para uma percepção estereotipada das dificuldades que muitas mulheres enfrentam neste período. (DINIZ & COELHO, 2003; NORI, 2002).

 

V – CRISES E LUTO

Para a mulher na meia idade todo esse processo inicia com a constatação de perdas e de tentativas de elaboração dos lutos pelas diversas perdas, que vão desde a perda de aspectos fundamentais da identidade feminina, desencadeando um processo doloroso de elaboração de lutos e de transformação e pode ser agravado quando ela passa a exerce o papel de cuidadora.

 

O primeiro dos lutos é o representado pelo fim da menstruação e conseqüentemente perda da função feminina de procriar, perda da condição parental. É normalmente nessa fase da vida quando as mulheres estão vivenciando seus conflitos, sua passagem, é que os pais já velhos e doentes normalmente vêm morar com as filhas e muitas das vezes entrando em processo de demência, esse é mais um luto para a mulher que vê seu pai ou sua mãe, aqueles que foram seus modelos, seus heróis, ou não, agora tornarem seus dependentes, seus filhos. Como lidar com isso, como se tornar a mãe da mãe…

Todo esse processo de constatação das perdas e de tentativa de elaboração é em parte responsável pelo tumultuado processo da menopausa. Nele a mulher vai reavaliar a sua vida e muitas de suas relações que não foram resolvidas voltam a ser ajuizados e conflitos no relacionamento com os pais tais como ambivalência afetiva, abandono, abusos, entre outros, que ficaram mal resolvidos serão revisados. (Caldas, Célia apud Rissin,Ruth ).

A doença ou a limitação física em uma pessoa provoca mudanças na vida de todos os familiares e o desenvolvimento de distúrbios de comportamento do doente passa a influenciar a vida da cuidadora que passa a ser influenciada tanto pelos aspectos cognitivos como comportamentais do doente. Muitas delas passam a apresentar grande estresse, depressão crônica e vida social restrita (Tobinson, Adkinsson, & Weinrich, 2001)

 

VI – ESTRESSE DO CUIDADOR (A)

 

Estudo realizado por Da Silva, MJ; Braga M.M.;Da Silva Bruno,CT, indica que estresse constante do cuidador pode desencadear o que é conhecido como Síndrome de Burnout que caracteriza-se pela perda do interesse em relação a atividade laboral, onde os eventos deixam de ter importância e o esforço pessoal, no sentido de mudar a situação, é sentido como inútil. A maior vulnerabilidade à síndrome ocorre nos primeiros anos, sendo as mulheres as mais vulneráveis pela dupla carga de trabalho. A síndrome apresenta como sintomas iniciais exaustão emocional, sentimentos e atitudes negativas e insensibilidade afetiva.  Por fim, é manifestado sentimento de insatisfação, cansaço emocional, esgotamento, exaustão emocional, fadiga, frustração, abdicação da vida pessoal, estresse, todos relativos ao trabalho, despersonalização: insensibilidade,frieza emocional,despreocupação, culpabilidade pessoal; todo esse estresse pode  ocasionar desordens psicológicas severas. O estudo também mostra que 83% dos pesquisados eram mulheres, sendo (43%) na faixa de 41 a 59 anos, ou seja, mulheres na meia idade.

Alguns artigos sobre o estudo da demência no Brasil demonstrando  a prevalência de demência de 7,1% em indivíduos acima de 65 anos de idade. A doença de Alzheimer (DA) foi responsável por 55,1% dos casos; a demência vascular (DV), por 9,3%; e a DA associada à DV por 14,4%. A DFT (Demência Fronto-temporal) e a demência com corpos de Lewy responderam, respectivamente, por 2,6 e 1,7% dos casos ( Uchoa, Giacomim e Lima-Costa, 2005).

O número de idosos com demências, dentre elas a mais comum sendo a Doença de Alzheimer (DA), vem aumentando consideravelmente, o que se torna um aspecto relevante tanto para os portadores da doença bem como para os cuidadores por ser uma das mais impactantes, e também pelos índices de morbidade nos cuidadores e familiares. A grande maioria dos idosos portadores de demência vive com os familiares e geralmente são cuidados por uma filha ou esposa. (Trabalho apresentado no III Congresso Ibero-americano de Psicogerontologia, )

 

Segundo pesquisas realizadas por Uchoa, Giacomim e Lima-Costa(2005) com idosos de Bambui, MG, observou-se que as filhas eram as principais cuidadoras de idosos em condições de dependência e  que isso ocorria como parte de suas atribuições, sem nenhuma qualificação ou preparo.  Notou-se que as mulheres foram as que mais desenvolveram a Doença de Alzheimer, sendo falhas na memória a principal queixa de dificuldade cognitiva, essas falhas podem ser resultado de alterações emocionais e ansiedade, mas também pode ser um dos primeiros sinais de processos degenerativos comuns nas demências. No estudo realizado por Lopes e Bottino, foi mostrado que o maior predomínio dos casos de demência ocorreu em idosas, entretanto, não se pode afirmar que indivíduos do sexo feminino apresentem maior risco para desenvolver a doença de Alzheimer.

Pessoas que prestam cuidados a pacientes de Alzheimer têm mais probabilidade de sofrerem de demência. “É incrivelmente irônico, mas também faz sentido”, afirma o pesquisador Peter P. Vitaliano, da Universidade de Washington (EUA). As funções de um cuidador envolvem muitos fatores que aumentam as chances de o indivíduo sofrer debilitação cognitiva e outros problemas, como o estresse crônico, isolamento social e depressão. A pessoa pode também adotar hábitos poucos saudáveis, como se exercitar menos e comer alimentos pouco nutritivos (JOURNAL OF THE AMERICAN GERIATRICS SOCIETY).

 

 

 

 

 

VII – A FINALIADE DA PSICOTERAPIA

A finalidade da psicoterapia Cognitivo-Comportamental, no caso dessas mulheres, é avaliar a dor emocional e outros sintomas associados a esse momento da vida da mulher e dar um foco para os diferentes sintomas que ela apresenta, ou seja, abrir espaço para que ela possa, através da identificação das interpretações errôneas, comportamento auto-derrrotista e atitudes disfuncionais cognitivas e comportamentais possa dar um novo significado a sua vida. (Beck, 1999).

O fenômeno psicológico seja qual for a sua conceituação, aparece descolado da realidade na qual o individuo se insere e, mais ainda deslocado do próprio individuo que o abriga.  Esta é a noção: algo que se abriga em nosso corpo, do qual não temos muito controle, visto como algo que em determinados momentos de crise nos domina sem que tenhamos qualquer possibilidade de controlá-lo; algo que inclui “segredos” que nem mesmo nós sabemos; algo enclausurado em nós que é ou contém um “verdadeiro eu” (BOCK; GONÇALVES; FURTADO 2001 p.21).

Segundo Beck, Aaron T., et al (1999) a psicoterapia Cognitivo-Comportamental poderá ser muito benéfica. As pesquisas demonstram que os tratamentos através da farmacologia são eficientes, porém existe uma maior prevalência de recaídas, enquanto que através da psicoterapia cognitivo-comportamental pode aprender e a partir desta experiência terapêutica ficar mais preparado para enfrentar possíveis recaídas e até prevenir depressões subseqüentes.

A terapia Cognitiva baseia-se no modelo cognitivo que levanta a hipótese de que as emoções e comportamentos das pessoas são influenciados pelo modo como elas interpretam os eventos, o modo como as pessoas se sentem está associado ao modo como elas interpretam e pensam sobre a situação. O modo como elas interpretam e pensam sobre as situações são chamados de crenças centrais e podem ser categorizadas na esfera do desamparo, do não ser amado ou em ambas, elas são apreendidas na infância a medida que a criança  interage com pessoas para ela significativas e que encontrem situações que confirmem estas idéias. As maiorias das pessoas podem manter crenças centrais relativamente positivas, sobre si mesma, como por exemplo: ”eu sou amável”; “eu sou digno” porém, durante momentos de aflição psicológica podem vir à tona crenças centrais negativas.  Essas crenças centrais negativas são para as pacientes verdades, que por elas não são percebidas conscientemente. Por outro, lado as crenças centrais influenciam o desenvolvimento de crenças intermediárias que consistem em atitudes e regras, freqüentemente não articuladas, até que o terapeuta, através de perguntas sobre o sentido dos pensamentos possa levá-las a conscientizar-se, ou seja, perceber as distorções (Beck, 1997).

A intervenção visa à livre expressão dos sentimentos de todos os afetos envolvidos, através de uma dinâmica onde seja possível se oferecer a essas mulheres, tanto instrumentalização para lidar com o idoso quanto uma compreensão que possa facilitar um trabalho psíquico, capaz de fazê-los resignificar aquilo que possam lhe angustiar.

Segundo os estudos de Bleger, 1908, a finalidade do nosso trabalho “é a redução das tensões, possibilitada pela identificação dos conflitos, com o objetivo de transformá-los em problemas, para os quais possam buscar soluções.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VIII – CONCLUSÃO

Concluiu-se que a forma pela qual a mulher passa por essa fase é individual e tem a ver com fatores atuais e as relações parentais do passado da vida dela.

A Síndrome do Ninho Vazio e a Menopausa podem ser um gatilho para que algumas mulheres apresentem depressão e alterações psicológica diante da pressão e sobrecarga de trabalho ao se torna cuidadora, porém não podemos dizer que todas as depressões nas mulheres na maturidade, sejam por causa da menopausa. Além disso, nesse momento do ciclo vital, as mulheres podem se deparar com outras mudanças, ou seja, além dos filhos saírem de casa, a chegada da menopausa, aposentadoria ou perda do emprego, pode agravar sentimentos de depressão e baixa auto-estima. Em alguns casos surgem quadros depressivos, justificando a necessidade de ressignificação de vida.

Portanto para que haja um envelhecimento bem sucedido é preciso o atendimento às necessidades biopsicossociais e espirituais dessas mulheres, é de fundamental importância  que sejam tomadas medidas preventivas a fim de  identificar  aquelas com provável risco  de desenvolver demência,  e ainda que os achados sejam inconclusivos, ressaltamos a necessidade de novas pesquisas sobre o assunto, incluindo aspectos da mudança cultural e a importância da escuta psicológica para a saúde da mulher de meia-idade cuidadora.

 

 

 

 

 

 

 

 

IX – REFERÊNCIAS BIBLIOGRFICAS

 

APPOLINÁRIO, J. C. Envelhecimento e a saúde mental da mulher: Menopausa e Perimenopausa. Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Cadernos IPUB, 10. Envelhecimento e Saúde Mental. 3a Ed. Rio de Janeiro, RJ: UFRJ/IPUB, 2001.

BECK, A. T., A.J. SHAW, B. F. & EMERY, G. Terapia Cognitiva da  Depressão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

BECK, J. S. Terapia cognitiva: Teoria e Prática. Porto Alegre: Artmed,1997.

Caldas, Célia. – Introdução à Gerontologia ,  Formação humana em Geriatria e Gerontologia. UERJ/UnATI. RJ.2006.

 

Camarano, Ana A. (coordenação). DEMOGRAFIA DO ENVELHECIMENTO E EPIDEMIOLOGIA. Formação Humana em Geriatria e Gerontologia: Uma perspectiva interdisciplinar. UERJ/UnATI. RJ.2006

 

CARVALHO, Isalena Santos y COELHO, Vera Lúcia Decnop. Mulheres na Maturidade e Queixa Depressiva: Compartilhando Histórias, Revendo Desafios. PsicoUSF, jun. 2006, vol.11, no.1, p.113-122. ISSN 1413-8271. São Paulo 2009. Disponível em: HTTP:/  www.scielo.br.

CERVENY, C. M. O. Família e Ciclo Vital: Nossa Realidade em Pesquisa. São Paulo: Casa do Psicólogo,1997.

CIORNARI, S. Da Contra Cultura à Menopausa: Vivências e Mitos da Passagem. São Paulo: Oficina de Textos, 1999.

DALGALARRONDO P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Da Silva, MJJ; Braga Marques, M.; Da Silva Bruno, CT: Avaliação da presença da Síndrome de Burnout em  cuidadores de idosos. Revista Eletronica cuadrimestral de enfermería, Enfermería Global Nº 16   Junio 2009

 

DENNERSTEIN, et al. Empty Nest or Revolving Door? A Prospective  Study of Womens Quality of Life in Midlife During the Phase of Children Leaving and Re-entering the Home. Psychological Medicine, 2002.

DINIZ & COELHO, V. L. Mulher, Família, Identidade: A Meia-idade e Seus Dilemas. São Paulo: Loyola, 2003.

ERIKSON, E.; ERIKSON, J. M. O Ciclo de Vida Completo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

Falcão, Deusivânia V. da Silva; Doença de Alzheimer: Um estudo sobre o papel das filhas cuidadoras e suas relações familiares, Brasilia,DF, 2006

http://repositorio.bce.unb.br/bitstream

 

GIACOMIN, Karla C.; UCHOA, Elizabeth; LIMA-COSTA, Maria Fernanda F.. Projeto Bambuí: a experiência do cuidado domiciliário por esposas de idosos dependentes.Cad. Saúde Pública,  Rio de Janeiro,  v. 21,  n. 5, Oct.  2005 . <http://www.scielo.br/scielo.. access on  16  Nov.  2011.

 

Helenice  Charchat-Fichman, Paulo Caramelli,

Koichi Sameshima, Ricardo Nitrini : Declínio da capacidade cognitiva durante o Envelhecimento.

http://www.scielo.br/pdf/rbp/v27n1/23718.pdf

 

JUNG, C. G. A Dinâmica do Inconsciente. In:Obras Completas de C., G. Jung. Petrópolis: Vozes, 1991. V.8.

Journal of the American Geriatrics Society. Fonte: WebMD 13 de maio de 2011

Copyright © 2011 Bibliomed, Inc. http://www.bibliomed.com.br 

LAI, H. L. Transitio to The Empy Nest: A Phenomenological Study.  Tzu Chi Nursing Journal, 2002; 1(3): 88-94.

LIDZ, T. A. A Pessoa: Seu Desenvolvimento Durante o Ciclo Vital. Porto Alegre: Artes Médicas, 1983.

LIU, L. J. Guo Q. Loneliness and Health-related Quality of Life For The Empty Nest Eldevery in Rural Area of a Mountainous County in China. Qual Life Res. 2007; 16: 1275-80.

Lawal, Natássia de O. e  Rezende,Carlos H. A.O estresse em cuidadores familiares de idosos com doença de Alzheimer. http://www.seer.ufu.br/index.php/horizontecientifico/article/viewFile/4145/3092

 

LOWENTHAL, M. F. Chiriboga D. Transition to The Empty Nest. Arch Gen Psychiat. 1972; 26: 8-14.

MALACARA, J. M. et AL. Menopause in Normal end Uncomplicated Niddm Women: Physical end Emotional Symptoms and Profile. Maturitas. 1997; 28: 35-45.

McCullought, P. G. Rutemberg, S. K. Lançando os filhos e seguindo em Frente. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

MARGIS, R.; CORDIOLI, A. V. Idade Adulta: Meia-idade. Porto Alegre: Artmed, 2001.

McGoldrick, M. As Mulheres e o Ciclo de Vida Familiar: Uma Estrutura para a Terapia Familiar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

NORI, M. H.; COELHO, V. L. D. Artigo 4: A Vida Ouvida: A Escuta Psicológica e a Saúde da Mulher de Meia-idade. Disponível em  http://www.revispsi.uerj.br/v3n2/artigos.

OLIVER, R. The “Empty Nest Syndrome” as a Focus of Depression: A Cognitive Treatment Model, Based on Rational Emotive Therapy. Journal Psychoterapy Theory, Research, Practice, Training. 1977; 14 (1): 87-94.

O.M.S. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas.  Porto Alegre. Acesso em: 15 fev.2010às19: 50h: Artes Médicas, 1993.

RAMOS, M. Introdução à Terapia Familiar. São Paulo: Ática, 1990.

RANGÉ, B. Psicoterapias cognitivo-comportamentais: Um Diálogo com a Psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2001.

Revista de Psiquiatria Clinica: Revisando o Conceito de Síndrome do Ninho Vazio. Vol.36, n.3, São Paulo, 2009. Disponível em: HTTP: /www.scielo.br

Rissin, Ruth: Observações sobre uma experiência de psicoterapia com mulheres na menopausa. Disponivel em :

http://scielo.isciii.es/pdf/eg/n16/pt_clinica1.pdf

 

SOUZA, Carmen Lúcia. Transição da menopausa: A Crise da Meia-idade Feminina e seus Desafios Físicos e Emocionais. Rev. bras. ter. cogn., dez. 2005, vol.1, no.2, p.87-94. ISSN 1808-5687.

Silveira, Terezinha M. Interdisciplinaridade em Gerontologia. . Formação humana em Geriatria e Gerontologia. UERJ/UnATI. RJ.2006.

 

Robinson,K.M. Adkinsson, P.A; Weinrich,S. Problem behaviour, caregiver reactions, and impact among caregivers of persons with Alzheimer’s disease. Journal of advanced nursing , 2001;36(4):573-82

 

VELASCO, E. et AL. Gonadotropins and Prolactin Serum Leveis During The Perimenopausal Period: Correlation With Diverse Factors. Fertility and Sterelity, 1990; 53 (1): 56-60.

Vianna, Denizar .Estudo do custo da doença. FORMAÇÃO HUMANA EM GERIATRIA E GERONTOLOGIA. UERJ/UnATI. RJ.2006.

 

Veras, Renato. Desafios atuais: Politica Nacional de saúde do idosos, conceitos e práticas assistenciais.FORMAÇÃO HUMANA EM GERIATRIA E GERONTOLOGIA. UERJ/UnATI. RJ. 2006

WINNICOTT, M. O. O Ambiente e os Processos de Maturação: Estudos Sobre a Teoria do Desenvolvimento Emocional. 3a Ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s